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PPGVET · Guia Técnico · Avicultura
Material Didático

Guia da Influenza Aviária

Cinco pontos que você precisa dominar para atravessar os surtos recentes.

Apresentação

Por que este guia existe

Os surtos recentes de influenza aviária voltaram a acender o alerta em toda a cadeia produtiva. Ainda há muito a aprender sobre a doença: o setor avícola dos Estados Unidos e do mundo está preparado para conviver com um cenário endêmico? Como devem ser desenhadas as estratégias de controle e mitigação? Este material reúne, em linguagem direta, o que o profissional de campo precisa saber para responder a essas perguntas e agir com segurança no dia a dia.

Sumário

O caminho do material

Parte 1

O que é a influenza aviária e por que preocupa

Parte 2

Como acontece a contaminação

Parte 3

O que os surtos recentes nos ensinaram

Parte 4

Como lidar com a influenza aviária

Parte 5

O que esperar dos próximos anos

Parte 1

O que é a influenza aviária e por que preocupa

Alguns conceitos são básicos, mas vale sempre revisitá-los. Segundo o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), a influenza aviária, também chamada de gripe das aves, é uma doença causada por vírus da influenza do Tipo A. As aves aquáticas silvestres são o reservatório natural do vírus e o dispersam pelo mundo; aves domésticas e outros animais também podem se infectar. Humanos, em geral, não são afetados, mas casos raros de infecção já foram registrados e considerados zoonoses de importância em saúde pública.

Existem quatro tipos de vírus influenza: A, B, C e D. É o tipo A que circula em aves silvestres e domésticas. Seus subtipos são definidos por duas proteínas de superfície, a hemaglutinina (HA) e a neuraminidase (NA), com 18 subtipos de HA e 11 de NA descritos. É daí que vêm as nomenclaturas do tipo H5N1, H7N9, e assim por diante.

Baixa vs. alta patogenicidade

Dentro dos vírus de influenza A que infectam aves, existe outra divisão importante: a influenza aviária de baixa patogenicidade (LPAI) e a influenza aviária de alta patogenicidade (HPAI). A LPAI costuma causar quadro leve, principalmente respiratório, e pode levar a queda súbita na produção de ovos. Já a HPAI provoca doença grave e sistêmica, podendo levar à mortalidade de lotes inteiros. É essa última que exige maior atenção.

Galinha
Observe os seguintes sinais no seu lote:
  • Coloração arroxeada de barbelas e cristas
  • Tosse
  • Secreção nasal
  • Inchaço na cabeça e no pescoço
  • Letargia
  • Morte súbita sem sinais clínicos evidentes
  • Coloração arroxeada das pernas
  • Diarreia aquosa ou esverdeada
Adaptado de: University of Georgia Extension

Por que a preocupação é tão grande?

Um dos motivos mais críticos: assim que a LPAI entra em um lote, ela pode mutar para HPAI. A doença representa uma ameaça significativa para a produção avícola pela rápida disseminação e alta patogenicidade, o que resulta em perdas financeiras expressivas e em preocupação com a saúde humana, já que a transmissão para pessoas, embora rara, é possível.

Infográfico ilustrando as formas de transmissão da influenza aviária para humanos
Formas de transmissão para humanos — adaptado do CDC
Parte 2

Como acontece a contaminação

Considerando o potencial destrutivo da influenza aviária, é essencial entender como o vírus chega até a granja. A contaminação ocorre, principalmente, pelo contato com aves infectadas e por equipamentos, superfícies e utensílios contaminados. As excretas e as secreções das aves com vírus também funcionam como veículo de infecção para outros animais (USDA, 2015).

Se o lote está sadio e não há ave infectada dentro do galpão para iniciar a cadeia, como o vírus chega até ali? A resposta mais comum é que aves silvestres introduzem a LPAI nos plantéis domésticos por meio de contaminação fecal. Por isso, sistemas de produção extensivos ficam mais expostos, feiras e exposições que reúnem aves são pontos de atenção e a biosseguridade é a primeira linha de defesa contra o vírus.

Precisamos ter muito cuidado com mercados de aves vivas e com aves de exposição.

Dr. Joseph Giambrone
Parte 3

O que os surtos recentes nos ensinaram

De tempos em tempos, novos surtos de influenza aviária são notificados nos Estados Unidos e no restante do mundo. Além do risco à saúde humana, eles causam prejuízos enormes à indústria avícola. Para melhorar a forma como gerenciamos e controlamos esses eventos, é preciso olhar para o passado, como lembra George Santayana: “aqueles que não se recordam do passado estão condenados a repeti-lo”.

Com a prática e a experiência, o ano de 2015 nos deu, à maioria, uma noção muito melhor de como lidar com surtos de influenza aviária e com o impacto que eles trazem.

Dr. Saad Gharaibeh

Nos Estados Unidos, 2015 foi um marco. O surto de HPAI daquele ano foi o mais severo já registrado no país: afetou 211 lotes comerciais, resultou na morte de cerca de 50,4 milhões de aves e gerou perdas econômicas superiores a US$ 3 bilhões (Böckmann, 2021).

Gráfico de pizza: lotes comerciais afetados por estado no surto de 2015
Distribuição dos lotes comerciais afetados por estado — surto de 2015 (USDA, 2016)
Estabelecimentos comerciais afetados por estado — surto de 2015 (USDA, 2016)
EstadoLotes comerciais afetados
MN109
IA71
SD10
WI9
NE5
CA2
ND2
MO1
AR1

Hoje sabemos que recursos limitados dificultaram o controle dos surtos e ajudam a explicar a extensão do dano. A biosseguridade adotada não foi suficiente para conter o vírus. Ao mesmo tempo, a resposta do governo e das autoridades não foi rápida o bastante para frear a disseminação, e a experiência acumulada em surtos daquela proporção ainda era pequena.

Sempre existe o risco de um novo surto e não é possível prever quando ele vai ocorrer. O que está ao nosso alcance é estar preparado para o próximo.

Parte 4

Como lidar com a influenza aviária

Queremos que produtores e empresas melhorem sua biosseguridade para reduzir a chance de os lotes serem infectados e, se forem, para reduzir a chance de transmitirem a infecção às granjas vizinhas.

Dr. Saad Gharaibeh

Para prevenir surtos ou mitigar seus efeitos nos Estados Unidos e no mundo, um conjunto de medidas precisa estar em prática:

Parte 5

O que esperar dos próximos anos

É difícil especular quando será o próximo surto de influenza aviária. A ideia é estar mais preparado para lidar com a situação quando ela acontecer de novo.

Dr. Saad Gharaibeh

Como aponta o Dr. Gharaibeh, um novo surto certamente ocorrerá, mas não se sabe quando. Basta acompanhar as notícias para ver novos casos de gripe aviária reportados em diferentes estados dos EUA. Provavelmente, estamos vendo o ciclo se repetir, e as ferramentas de resposta seguem sendo as mesmas: vacinação, quarentena e desinfecção das instalações. A vigilância contínua e o monitoramento regular dos lotes permitem detecção e prevenção precoces da doença.

Em caso de um novo surto de influenza aviária, acredito que os EUA vão observar como outros países estão vacinando e controlando a doença para decidir a melhor forma de responder.

Dr. Joseph Giambrone
Encerramento

Informação é chave

Referências

Fontes consultadas

  • Böckmann, H. (2021). Avian Influenza outbreaks in Germany and the USA — comparison and analysis.
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Avian flu. Disponível em: http://www.cdc.gov/flu/avianflu/. Acesso em: 1 dez. 2022.
  • USDA–APHIS (2015). Questions and answers: biology of avian influenza and recent outbreaks. Disponível em: www.usda.gov/documents/avian-influenza-biology-outbreaks-qa.pdf.
  • University of Georgia Extension — material adaptado para os sinais clínicos de monitoramento em lote.

Conteúdo traduzido e adaptado ao português pela equipe PPGVET a partir de material técnico originalmente publicado em inglês pelo The Poultry Podcast Show (autora: Alessandra Arno).