Por que este guia existe
Os surtos recentes de influenza aviária voltaram a acender o alerta em toda a cadeia produtiva. Ainda há muito a aprender sobre a doença: o setor avícola dos Estados Unidos e do mundo está preparado para conviver com um cenário endêmico? Como devem ser desenhadas as estratégias de controle e mitigação? Este material reúne, em linguagem direta, o que o profissional de campo precisa saber para responder a essas perguntas e agir com segurança no dia a dia.
O caminho do material
O que é a influenza aviária e por que preocupa
Como acontece a contaminação
O que os surtos recentes nos ensinaram
Como lidar com a influenza aviária
O que esperar dos próximos anos
O que é a influenza aviária e por que preocupa
Alguns conceitos são básicos, mas vale sempre revisitá-los. Segundo o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), a influenza aviária, também chamada de gripe das aves, é uma doença causada por vírus da influenza do Tipo A. As aves aquáticas silvestres são o reservatório natural do vírus e o dispersam pelo mundo; aves domésticas e outros animais também podem se infectar. Humanos, em geral, não são afetados, mas casos raros de infecção já foram registrados e considerados zoonoses de importância em saúde pública.
Existem quatro tipos de vírus influenza: A, B, C e D. É o tipo A que circula em aves silvestres e domésticas. Seus subtipos são definidos por duas proteínas de superfície, a hemaglutinina (HA) e a neuraminidase (NA), com 18 subtipos de HA e 11 de NA descritos. É daí que vêm as nomenclaturas do tipo H5N1, H7N9, e assim por diante.
Baixa vs. alta patogenicidade
Dentro dos vírus de influenza A que infectam aves, existe outra divisão importante: a influenza aviária de baixa patogenicidade (LPAI) e a influenza aviária de alta patogenicidade (HPAI). A LPAI costuma causar quadro leve, principalmente respiratório, e pode levar a queda súbita na produção de ovos. Já a HPAI provoca doença grave e sistêmica, podendo levar à mortalidade de lotes inteiros. É essa última que exige maior atenção.

- Coloração arroxeada de barbelas e cristas
- Tosse
- Secreção nasal
- Inchaço na cabeça e no pescoço
- Letargia
- Morte súbita sem sinais clínicos evidentes
- Coloração arroxeada das pernas
- Diarreia aquosa ou esverdeada
Por que a preocupação é tão grande?
Um dos motivos mais críticos: assim que a LPAI entra em um lote, ela pode mutar para HPAI. A doença representa uma ameaça significativa para a produção avícola pela rápida disseminação e alta patogenicidade, o que resulta em perdas financeiras expressivas e em preocupação com a saúde humana, já que a transmissão para pessoas, embora rara, é possível.

Como acontece a contaminação
Considerando o potencial destrutivo da influenza aviária, é essencial entender como o vírus chega até a granja. A contaminação ocorre, principalmente, pelo contato com aves infectadas e por equipamentos, superfícies e utensílios contaminados. As excretas e as secreções das aves com vírus também funcionam como veículo de infecção para outros animais (USDA, 2015).
Se o lote está sadio e não há ave infectada dentro do galpão para iniciar a cadeia, como o vírus chega até ali? A resposta mais comum é que aves silvestres introduzem a LPAI nos plantéis domésticos por meio de contaminação fecal. Por isso, sistemas de produção extensivos ficam mais expostos, feiras e exposições que reúnem aves são pontos de atenção e a biosseguridade é a primeira linha de defesa contra o vírus.
“Precisamos ter muito cuidado com mercados de aves vivas e com aves de exposição.”
O que os surtos recentes nos ensinaram
De tempos em tempos, novos surtos de influenza aviária são notificados nos Estados Unidos e no restante do mundo. Além do risco à saúde humana, eles causam prejuízos enormes à indústria avícola. Para melhorar a forma como gerenciamos e controlamos esses eventos, é preciso olhar para o passado, como lembra George Santayana: “aqueles que não se recordam do passado estão condenados a repeti-lo”.
“Com a prática e a experiência, o ano de 2015 nos deu, à maioria, uma noção muito melhor de como lidar com surtos de influenza aviária e com o impacto que eles trazem.”
Nos Estados Unidos, 2015 foi um marco. O surto de HPAI daquele ano foi o mais severo já registrado no país: afetou 211 lotes comerciais, resultou na morte de cerca de 50,4 milhões de aves e gerou perdas econômicas superiores a US$ 3 bilhões (Böckmann, 2021).

| Estado | Lotes comerciais afetados |
|---|---|
| MN | 109 |
| IA | 71 |
| SD | 10 |
| WI | 9 |
| NE | 5 |
| CA | 2 |
| ND | 2 |
| MO | 1 |
| AR | 1 |
Hoje sabemos que recursos limitados dificultaram o controle dos surtos e ajudam a explicar a extensão do dano. A biosseguridade adotada não foi suficiente para conter o vírus. Ao mesmo tempo, a resposta do governo e das autoridades não foi rápida o bastante para frear a disseminação, e a experiência acumulada em surtos daquela proporção ainda era pequena.
Sempre existe o risco de um novo surto e não é possível prever quando ele vai ocorrer. O que está ao nosso alcance é estar preparado para o próximo.
Como lidar com a influenza aviária
“Queremos que produtores e empresas melhorem sua biosseguridade para reduzir a chance de os lotes serem infectados e, se forem, para reduzir a chance de transmitirem a infecção às granjas vizinhas.”
Para prevenir surtos ou mitigar seus efeitos nos Estados Unidos e no mundo, um conjunto de medidas precisa estar em prática:
O que esperar dos próximos anos
“É difícil especular quando será o próximo surto de influenza aviária. A ideia é estar mais preparado para lidar com a situação quando ela acontecer de novo.”
Como aponta o Dr. Gharaibeh, um novo surto certamente ocorrerá, mas não se sabe quando. Basta acompanhar as notícias para ver novos casos de gripe aviária reportados em diferentes estados dos EUA. Provavelmente, estamos vendo o ciclo se repetir, e as ferramentas de resposta seguem sendo as mesmas: vacinação, quarentena e desinfecção das instalações. A vigilância contínua e o monitoramento regular dos lotes permitem detecção e prevenção precoces da doença.
“Em caso de um novo surto de influenza aviária, acredito que os EUA vão observar como outros países estão vacinando e controlando a doença para decidir a melhor forma de responder.”
Informação é chave
Fontes consultadas
- Böckmann, H. (2021). Avian Influenza outbreaks in Germany and the USA — comparison and analysis.
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Avian flu. Disponível em: http://www.cdc.gov/flu/avianflu/. Acesso em: 1 dez. 2022.
- USDA–APHIS (2015). Questions and answers: biology of avian influenza and recent outbreaks. Disponível em: www.usda.gov/documents/avian-influenza-biology-outbreaks-qa.pdf.
- University of Georgia Extension — material adaptado para os sinais clínicos de monitoramento em lote.
Conteúdo traduzido e adaptado ao português pela equipe PPGVET a partir de material técnico originalmente publicado em inglês pelo The Poultry Podcast Show (autora: Alessandra Arno).
